É instigante visitar museus dedicados à arte e à nossa civilização. A experiência nos faz perceber que as obras expostas refletem não somente a estética em si, mas, trazem consigo o comportamento, princípios éticos, ritos, mitos, crenças e costumes dos povos.
O mundo árabe, por exemplo, encontrou maior dificuldade que os países ocidentais na passagem da cultura artesanal para a cultura industrial. O acervo do Museu Topkapi, em Istambul, traz um conjunto de detalhes e informações presentes nas obras de arte e nos artefatos que vão muito além do mundo visível e material islâmico. Diferentemente, em museus russos pode-se reconhecer a produção artística e cultural desde antes da Revolução Comunista até a chegada da Arte Concreta e do Suprematismo como se comprova visitando o Hermitage.
A Alemanha, do Hamburger Bahnhof Museum, exibe uma linguagem minimalista de fácil tradução e aplicabilidade estético-formal tanto na arquitetura quanto na arte e no design. A Itália abarca desde as primeiras obras de Giotto, até a marcante experiência do Renascimento, com obras de gênios como Leonardo, Rafael e Michelangelo.
Louvre, d’Orsay, Museu Etnográfico do Homem de Paris, e National Galery, Tate Britain e na Tate Modern, na Inglaterra, nos dão norte sobre o processo civilizatório. E na Espanha fica evidente a importância das artes na península ibérica, em museus como o do Prado e o Reina Sofia, em Madri, a Fundação Joan Miró e o Museu Pablo Picasso, em Barcelona, além do surpreendente Guggenheim de Bilbao, no interior do país.
Agora imaginem essas diversas culturas se encontrando em um mesmo território e trazendo consigo diferentes formas de comportamentos, ideias, éticas e estéticas entre si?
Podemos tecer a hipótese de que foi justamente isso o que ocorreu com o Brasil durante seu processo de formação como Estado Nação. Ingredientes multiculturais, multirreligiosos e multiétnicos conformam um verdadeiro “caldeirão cultural” em constante estado de ebulição, um sincretismo que se pode presenciar na base da cultura brasileira. Um bom exemplo disso é o estado de Minas Gerais. Como escreveu Guimarães Rosa, “Minas são muitas”, como muitas são suas características, influenciadas por imigrantes portugueses, africanos, espanhóis e italianos.
Outra realidade particularmente brasileira é a fusão entre religiões e crenças, integrando de igual forma suas éticas e estéticas próprias, sugerindo por fim novos padrões de comportamentos. Veja-se o carnaval de Salvador, que vai muito além do aspecto religioso ao promover uma nova relação entre homem e fé, entre sacro e profano. Um caso de sobreposição de aspectos culturais, e novas formas de interações entre africanos, índios, portugueses e turcos.
Outra realidade se tem no sul do Brasil, onde se misturaram alemães, italianos e judeus, que trouxeram o gosto pela indústria, pelo empreendedorismo e pelo labor nas vindimas e laticínios. Mais tarde, se juntaram a eles japoneses e poloneses, com suas culturas e traços peculiares, saberes e sabores distintos.
Italianos, espanhóis, árabes, portugueses, judeus, japoneses e povos latinos fizeram de São Paulo uma das maiores metrópoles do mundo, não somente em grandeza, mas também em diversidade. Não por acaso ali surgiu o Movimento Antropofágico e a Semana de Arte Moderna. A intenção de seus expoentes era digerir a cultura europeia e convertê-la em algo brasileiro.
Os povos do Norte e Nordeste fundiram aspectos místicos e folclóricos com grandes influências da cultura indígena, mas também dos descendentes de mouros e africanos, portugueses e holandeses, gerando entre si novas matrizes como cafuzos e mamelucos.
Podemos intuir, portanto, que a grande contribuição do Brasil para o mundo não se encontra presente através de obras estáticas em museus. Encontra-se pelas ruas e cidades do nosso país, estampada no traço das pessoas que aqui nasceram, promovendo para o mundo uma estética da convergência e da tolerância, da solidariedade e da paz entre povos distintos.
Neste contexto, o ensino e as Universidades brasileiras também devem ser multi e plural.
*Publicado no Caderno Opinião do Jornal Estado de Minas em 03 de maio 2012.
Dijon Moraes Júnior
Reitor
Palavra do Reitor - Fevereiro de 2012
Campus da Uemg*
A Universidade do Estado de Minas Gerais – Uemg foi criada pela Assembléia Constituinte do Estado em 1989, a partir da reunião de Instituições de Ensino Superior presentes em Belo Horizonte. Entre elas a Escola de Música e a Escola de Design da Fundação Mineira de Arte – FUMA; o curso de pedagogia do Instituto de Educação de Minas Gerais – IEMG (hoje Faculdade de Educação da Uemg) e a Escola Guignard. Mais recentemente, o campus de Belo Horizonte instituiu a Faculdade de Políticas Públicas “Tancredo Neves”, compondo assim junto à Reitoria, seis unidades existentes da Uemg na capital mineira.
Além de Belo Horizonte, a Uemg cresceu de maneira vertiginosa nestes seus, ainda jovens, vinte e dois anos de existência e, conforme previsto na sua missão institucional e vocação multicampi, em zonas densas e povoadas do interior do nosso Estado como: João Monlevade, Barbacena, Ubá, Leopoldina, Poços de Caldas e Frutal antes carentes e desassistidas de Ensino Superior público e gratuito, oferta hoje cinquenta e sete cursos superiores (graduação e pós-graduação).
À época da instituição da Uemg pela Constituição Mineira, previu-se também, que com o decorrer do tempo, seis fundações de ensino superior localizadas no interior do Estado (Passos, Diamantina, Campanha, Ituiutaba, Divinópolis e Carangola) seriam absorvidas. Este projeto encontra-se em fase de implantação e, uma vez efetivado fará da Uemg a terceira maior Universidade pública de Minas Gerais.
Uma vez contextualizado o percurso da Uemg, retorno ao argumento central do tema que trata do “Campus de Belo Horizonte”. A expectativa de localização da Uemg em espaço único na forma de campus/sede Belo Horizonte, remonta à sua instituição vinte e dois anos atrás e, sempre foi tido como “objeto de desejo” por toda a comunidade acadêmica formada por professores, alunos e servidores que hoje ocupam seis diferentes prédios espalhados pela malha urbana da cidade, sendo que alguns deles alugados.
A lógica da proximidade das unidades em forma de Campus Universitário, em um mesmo espaço urbano, tráz incontestes vantagens para todos os atores envolvidos com o ensino, pesquisa e extensão os quais devem atuar de forma indissociável no ambiente acadêmico. Vale observar, que em um mesmo espaço físico, a integração entre os cursos se torna mais viável, facilitando a matricula por disciplina e proporcionando a pesquisa conjunta em áreas afins. No caso da Uemg, esta será uma grande oportunidade para seus estudantes uma vez que, dentre os diversos cursos ofertados em Belo Horizonte, predominam os das áreas humanas, artísticas e sociais aplicadas, o que possibilita uma maior integração entre elas. Desta maneira, os alunos da Escola de Design poderão fazer disciplinas e participar de atividades na Escola de Arte Guignard, realizar pesquisas com temas comuns na Faculdade de Educação e mesmo usufruir dos concertos e pesquisas da Escola de Música e da Faculdade de Políticas Públicas e, a mesma lógica pode ocorrer entre as demais unidades presentes no campus. Já a Escola Guignard usufruirá de dois espaços físicos: o existente e o a ser construído no campus.
Recordo com muito carinho na época que realizei meu percurso de doutorado junto à Universidade Politécnico di Milano na Itália. Nesta oportunidade pude participar de aulas e seminários com, dentre outros, o musico Ennio Morricone que fez uma interessante comparação entre a composição arquitetônica e a musical e também, com Umberto Eco que discorreu sobre a relação entre a semiologia e o design. Ressalto, que nenhum dos dois eram diretamente ligados ao nosso departamento de doutorado mas, como as aulas eram abertas aos estudantes do campus, pudemos usufruir destes momentos únicos de uma vida acadêmica. Sabemos que a tradição de campus universitário, e tudo o que ele acarreta e proporciona, vai muito além das salas de aulas, auditórios e de bibliotecas compartilhadas. Chamo a atenção para o exemplo norte americano e inglês, onde as atividades esportivas e culturais realizadas em seus campi, deram notoriedade à diversas instituições de ensino que nos revelaram não somente cientistas e professores mas, de igual forma, grandes atletas e artistas de talento.
Temos hoje, através do Governo de Minas, a oportunidade única de instituir o Campus da Uemg em Belo Horizonte no Bairro Cidade Nova. A Uemg será uma das âncoras da “Cidade da Ciência e do Conhecimento”, um arrojado projeto da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – SECTES, que unirá nessa mesma região diversas instituições no âmbito do ensino, pesquisa, ciência, cultura e conhecimento como: Fapemig, Cetec, BioMinas, Serpro, Epamig, PlugMinas, Instituto Agronômico, Museu de História Natural e Jardim Botânico, além da Escola Técnico-industrial Prof. Fontes, em um avançado projeto urbanístico concebido pelo escritório do experiente ex-governador do Estado do Paraná, o arquiteto Jaime Lerner.
A guisa de conclusão, tenho certeza que a construção do Campus próprio da Uemg em Belo Horizonte, resgata a esperança de todos aqueles que contribuíram e contribuem para a consolidação desta Universidade. Em especial atenção, destaco à pessoa do prof. Aluisio Pimenta e, a sua eterna luta em favor da Uemg. Em reconhecimento o Conselho Universitário da Uemg, decidiu denominar o futuro campus de “Reitor Aluisio Pimenta”, em uma justa homenagem a quem dedicou o seu talento, engenho e arte à Universidade de todos os mineiros.
*Artigo completo do resumo publicado no Caderno Opinião do Jornal Estado de Minas em 28 de janeiro de 2012.
Dijon Moraes Júnior
Reitor
Palavra do Reitor - Janeiro de 2012
Dois mil e onze para Dois mil e doze: tempo de travessia, rito de passagem.
Este é um momento de balanço, de análise, de exame de consciência. O que fizemos na nossa UEMG desde o início da gestão atual?
Para responder a pergunta, inauguramos este novo canal de comunicação com vocês, professor, servidor e aluno da UEMG, por meio da janela “Palavra do Reitor’. Nossa intenção é dividir as conquistas, compartilhar os desafios e tornar cada um de nós cúmplice da meta maior de fazer a história da nossa Universidade.
Começamos por apresentar alguns pontos que merecem nosso destaque, cobrindo o primeiro período de nossa gestão, de julho de 2010 a junho de 2011, até o último período, que engloba os últimos seis meses do ano recém-encerrado.
Comecemos pelo primeiro período julho 2010 a junho 2011:
Remontamos a equipe de trabalho e instituímos rotinas que propiciassem maior agilidade aos procedimentos internos e externos da Universidade;
Elaboramos coletivamente, aplicando o Planejamento Estratégico Situacional (PES), o Plano de Gestão 2010/2014, compatibilizando-o com o Acordo de Resultados;
Inauguramos um novo estilo de gestão, com visitas periódicas às Unidades do interior e reuniões sistemáticas com as equipes gestoras;
Preparamos a Universidade para o processo de seu recredenciamento pelo Conselho Estadual de Educação (CEE);
Estabelecemos novos canais de comunicação com o Governo e com parceiros externos à área governamental;
Implantamos a Assessoria de Intercâmbio e Cooperação Interinstitucional, com atuação em níveis nacional e internacional, em busca da mobilidade acadêmica;
Demos início ao processo de construção do Campus de Belo Horizonte pela assinatura de contrato com a empresa vencedora da licitação para elaboração do projeto executivo;
Retomamos, juntamente com a SECTES, as negociações para a estadualização das fundações associadas;
Criamos a Pró-reitoria de Extensão;
Instituímos a Semana UEMG de extensão, realizada simultaneamente em todas as cidades onde a Universidade se encontra;
Efetivamos a instalação da Unidade de Leopoldina;
Reeditamos o Plano Mineiro de Capacitação Docente, com concessão de bolsas de doutorado para docentes por meio da FAPEMIG e da CAPES;
Elaboramos o novo Manual de Identidade Gráfica e Visual da UEMG;
Melhoramos o nosso acervo bibliográfico, com a aquisição de mais de seis mil novos títulos;
Estreitamos nossa parceria com a UNIMONTES e elaboramos estratégias comuns;
Participamos da elaboração da proposta de criação da Escola de Formação da Secretaria de Educação para a atualização de professores e dirigentes da educação básica em Minas Gerais;
Passamos a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, responsável pela elaboração do Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI 2011-2030);
Demos início ao projeto de criação de uma nova unidade dedicada à Educação a Distância e participamos efetivamente da equipe de elaboração da Universidade Aberta de Minas Gerais, em uma iniciativa da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SECTES) utilizando a estrutura dos CVTs;
Demos início ao processo de instituição da Unidade UEMG em Conceição do Mato Dentro, dando ênfase aos cursos superiores tecnológicos em consonância com as demandas regionais;
Priorizamos nossas necessidades na perspectiva do que seria vital para a consolidação e expansão da UEMG e a lista resultante foi apresentada à SECTES.
Levantemos agora as principais ações efetivadas de julho a dezembro de 2011:
Passamos a integrar o Conselho Curador da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG). A direção da UEMG apresentou-se formalmente à instituição, com descrição de sua estrutura, mecânica de trabalho, desafios e plano de ação;
Efetivamos o convênio de Duplo Título em Design junto ao Politécnico di Torino. Desde setembro de 2011, estudantes da UEMG já estão realizando a sua graduação no PoliTo. Promovemos ainda mais doze convênios internacionais com universidades europeias e passamos a integrar o Programa Ciências sem Fronteiras, do Governo Federal, enviando nossos estudantes para os EUA, Alemanha e Itália;
Assumimos a Coordenação Geral da Bienal Brasileira de Design a ser realizada em Minas Gerais em 2012;
Institucionalizamos o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e assistimos à eleição de sua primeira diretoria que irá recompor os nossos Conselhos Superiores em uma ausência de mais de 16 anos;
Integramos o programa “Tríplice Hélice” da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) no “Pacto por Minas”, que envolve os setores Empresarial, Acadêmico e Governamental;
Advogamos, em caráter de urgência, junto à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (SEPLAG) a abertura de concurso público para admissão de 22 doutores para os novos mestrados em formação na Guignard, na ESMU e em Frutal;
Obtivemos, junto à Prefeitura de Belo Horizonte, a doação do terreno onde se situa a Escola Guignard, o que nos permitiu regularizar sua situação predial;
Finalizamos o projeto executivo do Campus BH, a ser construído na Av. João Cândido da Silveira, na Cidade Nova;
Aprovamos, no Conselho Universitário, a venda de ativos próprios para a construção do nosso campus em Belo Horizonte;
Atentos à realidade e vocação local, disponibilizamos à sociedade mais dois novos cursos superiores: “Tecnologia em Alimentos” em Frutal e “Ciências Sociais” em Barbacena.
Estas não foram, certamente, as únicas ações desenvolvidas nos dois períodos contemplados. Foram algumas das concluídas com sucesso dentro da nossa proposta de trabalho, previamente apresentada à nossa comunidade acadêmica e consolidada no Plano de Gestão 2010-2014.
Temos, agora, uma nova estrada a palmilhar. O ano de 2012 coloca-nos muitos desafios, mas também promessas de crescimento e consolidação, bem como novas frentes de trabalho.
E será de nosso empenho coletivo, da junção de nossas forças, que resultará uma grande Universidade do Estado de Minas Gerais.
Que tenhamos, todos nós, companheiros nessa jornada, muita saúde e um feliz 2012.